O Banco do Brasil anunciou nesta segunda-feira (11) que pretende demitir cerca de 5 mil funcionários neste primeiro semestre de 2021. A reorganização administrativa inclui a desativação de 361 unidades, sendo 112 agências, sete escritórios e 242 postos de atendimentos (PA).
“A economia líquida anual estimada com despesas administrativas gerada por estes movimentos é de R$ 353 milhões em 2021 e R$ 2,7 bilhões até 2025”, informa o banco.
Estão previstas duas modalidades de desligamento incentivado voluntário aos funcionários: o Programa de Adequação de Quadros (PAQ) e o Programa de Desligamento Extraordinário (PDE). A adesão ocorrerá até 5 de fevereiro.
Conforme a diretora da Fetrafi-RS, Cristiana Garbinatto, o processo pode ser classificado como uma desestruturação do banco e ocorre no pior momento possível, em meio a pandemia de covid-19.
“Temos milhares famílias afetadas com essa desestruturação. Os caixas vão perder suas comissões mensais e, quem ficar, passará a receber por dia. Estamos com uma redução grande de cargos comissionados. Muita gente vai perder salário. E perder bastante salário. Isso é uma situação que leva as pessoas, normalmente, a pedir demissão mesmo”, avalia.
Na intranet do banco, Cristiana tem observado relatos de colegas pensando em suicídio, o que preocupa toda a categoria.
“Ninguém está com a saúde mental em dia no meio desta pandemia. Temos colegas trabalhando em home office tentando de todas as maneiras se adaptar porque são do grupo de risco. Há também colegas que estão trabalhando em agências superlotadas, estafados pelo risco de covid-19. Na semana passada, perdemos três colegas da ativa que não tinham comorbidades”, relata.
A dirigente sindical também chama atenção para a questão econômica e suas consequências.
“Enxugar um banco público abre mercado para os bancos privados. Isso é uma política do Paulo Guedes (ministro da Economia), a gente sabe quem está no comando”, afirma Cristiana.
“Tem que vender essa porra”, disse Guedes
Em maio do ano passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) tornou público uma reunião ministerial, ocorrida em 22 de abril, no qual Guedes afirma que o BB “é um caso pronto de privatização”.
“O BNDES e a Caixa, que são nossos, públicos, a gente faz o que a gente quer. Banco do Brasil a gente não consegue fazer nada, e tem um liberal lá. Então tem que vender essa porra”, disse o ministro na ocasião.
O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) reagiu ao diálogo com risadas e disse que a privatização do banco só seria discutida em 2023, num eventual segundo mandato de seu governo.
O que prevê o BB:
Otimização em 870 pontos de atendimento do país, incluindo:
– Desativação de 361 unidades, sendo 112 agências, 7 escritórios e 242 Postos de Atendimento (PA).
– Conversão de 243 agências em PA e outros 8 PA serão transformados em agências.
– Transformação de 145 unidades de negócios em Lojas BB, sem a oferta de guichês
de caixa, com maior vocação para assessoria e relacionamento.
– Relocalização compartilhada de 85 unidades de negócios.
– Criação de 28 unidades de negócios, sendo 14 Agências Especializadas Agro e 14 Escritórios Leve Digital (unidades especializadas no atendimento a clientes com maturidade digital), com aproveitamento de espaços existentes, não envolvendo contratação ou locação de novos imóveis.
– Duas modalidades de desligamento incentivado voluntário aos funcionários: o Programa de Adequação de Quadros (PAQ), a fim de otimizar a distribuição da força de trabalho, equacionando as situações de vagas e excessos nas Unidades do banco, e o Programa de Desligamento Extraordinário (PDE), disponível a todos os funcionários do BB que atenderem aos pré-requisitos. Ambos possuem regulamentos específicos que estabelecem as regras para adesão.
Fonte: Maiquel Rosauro, Jornalista (MTB/RS 13334)
Assessor de imprensa
Sindicato dos Bancários de Santa Maria e Região
(55) 996-811-384

 

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