O Sindicato dos Bancários de Santa Cruz do Sul e Região foi fundado em 19 de junho de 1973. É importante destacar que a organização dos trabalhadores tem sido marcada por constantes lutas desde o surgimento do capitalismo em meados do século XVIII na Inglaterra. O sindicalismo foi e é um dos instrumentos construídos pelos trabalhadores para resistir e reivindicar, podendo ser definido como ação coletiva para proteger e melhorar o nível de vida de quem vende sua força de trabalho. Também constitui uma força transformadora de toda a sociedade.

É preciso lembrar que as formas de luta dos trabalhadores são extremamente tensas. A organização da empresa capitalista moderna, que se estende para todos os setores da sociedade, fragmenta a produção industrial, induzindo a ideologia burguesa baseada na competição e na concorrência entre os trabalhadores. Cria várias categorias com qualificações e faixas salariais diferenciadas, além de toda uma estrutura repressiva dentro dos ambientes de trabalho com o objetivo de preservar a autoridade capitalista.

Essa realidade histórica e atual inclui, evidentemente, a categoria bancária. No final do século 19, após a abolição da escravatura, os trabalhadores começam a buscar meios de defesa frente aos patrões. A primeira grande organização é a de socorro mútuo (chamado mutual), como uma resposta à ausência de normas institucionais nas relações de capital/trabalho. No caso dos bancários, a mutual mais antiga é a Sociedade Beneficiente dos Funcionários da Caixa Econômica de São Paulo, surgida em 1907.

CONQUISTAS HISTÓRICAS

Através da história do sindicalismo é possível ter uma dimensão da importância dos sindicatos. Neste sentido, destacamos algumas conquistas que os bancários organizados garantiram ao longo dos anos.
Em 1930, os bancários reivindicaram ao ministro do Trabalho do governo Vargas aposentadoria compulsória aos 55 anos ou 25 de serviço e caixa de aposentadoria única. Também exigiram participação nos lucros, jornada de trabalho de seis horas diárias e regras claras de aposentadoria.
A primeira grande greve dos bancários surgiu em 1932. A filial de Santos do Banco do Estado pára e consegue adesão dos funcionários da matriz, na capital. A greve reivindica, entre outras coisas, duas horas livres para almoço e pagamento de horas extras noturnas.

Em 1934, os bancários desencadearam uma greve nacional visando estabilidade no emprego, aposentadoria aos 30 anos de serviço ou nos 50 anos de idade e criação de uma Caixa Única de Aposentadorias e Pensões dos Bancários. O governo aceita, entre outras reivindicações, a aposentadoria voluntária aos 30 anos de serviço ou com 50 de idade.

O primeiro dissídio coletivo foi fechado em 1943. Em 1946, os bancários paralisaram durante 19 dias com o apoio de outras categorias e conseguiram legitimar a Lei de Greve. Nos anos 50, a categoria teve dificuldade para atuar, a própria Lei de Greve tinha sido desafiada e desrespeitada. Em 57, as seis horas semanais corridas e aposentadoria  por tempo de serviço são garantidas.

O início dos anos 60 é marcado por greves, com exigência de 13º salário. Em 61, os funcionários do Banco do Brasil encabeçam uma paralisação cobrando piso salarial, garantido um reajuste de 40% e data-base unificada em cinco Estados. Neste mesmo ano, os funcionários de bancos privados decidem parar e conseguem um reajuste de até 60%.

O presidente João Goulart, do PTB de Vargas, institui o 13º salário. Em 1962 nasce a Confederação Geral dos Trabalhadores (CGT) que pede plebiscito para discutir o futuro do país e organiza uma greve nacional que resulta em novas conquistas, como o fim do trabalho aos sábados.

Em 1964, forças de direita unem-se durante a metade de 63 e, em março de 64, derrubam o presidente Jango. No poder, os militares cassam parlamentares e sindicatos. Confederações de trabalhadores sofrem intervenção. O Ato Institucional nº 1, medida da ditadura, cassa direitos políticos de 376 funcionários do Banco do Brasil.

Em 66, surgem duas medidas consideradas ruins pelos trabalhadores: a instituição do FGTS, que acaba com a estabilidade, e a unificação dos fundos de previdência. Em 1968, os militares fecham o cerco com a decretação do AI-5. Lideranças políticas e sindicais são presas e, várias, assassinadas.

Em 74, a sociedade civil começa a mover-se para conseguir maior participação política e vota nos representantes do partido político MDB (Movimento Democrático Brasileiro). Os bancários começam a se organizar novamente. Em 77, a mobilização faz o governo reconhecer que houve manipulação nos índices oficiais de reajustes salariais.

Em 79, começa a ser defendida a criação da Central Única dos Trabalhadores e o recebimento pela categoria de tíquetes alimentação. Neste ano, as greves dos metalúrgicos no ABC e de outras categorias mexem com os militares. Somente em 79, ocorrem 113 paralisações no Brasil, contra 24 do ano anterior.
A Central Única dos Trabalhadores (CUT) nasce 28 de agosto de 1983, em um ano tenso para os trabalhadores. Os trabalhadores de todo o país se mobilizavam deflagrando greve geral de 24 horas, contra o aumento do arrocho salarial e do desemprego. Os bancários também aderem à campanha pelas Diretas-Já.

A partir do nascimento da CUT, os bancários pautam-se pela autonomia, independência e democracia, com trabalhadores em sintonia com as bases sindicais, além de se formar um bloco combativo. Os anos seguintes são de mobilização pelas Diretas-Já.

Em 86, a CUT elabora o Plano de Lutas que é entregue ao governo José Sarney. Dentre as reivindicações estão a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, salário mínimo real e salário-desemprego. O governo implanta o Plano Cruzado I, que desindexa a economia e congela os preços no pico, enquanto os salários são congelados na média.

Em resumo, os direitos foram e são resultado de avanços e recuos que fazem que, em certos momentos, os detentores do poder do capital sejam obrigados a atender as reivindicações devido à pressão forte e organizada do movimento sindical.

Sobre o Sindicato

A atuação do Sindicato dos Bancários de Santa Cruz do Sul e Região é voltada tanto para as questões específicas da categoria como também pela busca de uma sociedade melhor. Tem como finalidade defender os interesses econômicos, sociais, profissionais, políticos e culturais dos bancários. Também lutar pelo cumprimento dos direitos dos trabalhadores, especialmente aqueles referentes à proteção ao trabalho e à preservação da saúde.
        
A diretoria atual composta por 24 bancários e bancárias de bancos públicos e privados foi eleita em 2007, com 94,29% de aprovação da categoria sindicalizada. A eleição ocorre a cada três anos. Os diretores integram o Conselho Deliberativo que é composto pelo Colegiado Executivo, Conselho Fiscal e os respectivos suplentes. Representam cerca de 800 bancários de 23 municípios, dos quais mais de 80% são sócios da entidade.

O Sindicato é administrado pelo Colegiado Executivo, que é composto por sete titulares e sete suplentes.  É dividido em duas diretorias: a Administrativa e a de Política Sindical. A primeira é responsável pelos setores de Administração, Finanças e organização do Sindicato, composto por três membros. A segunda é responsável pelas áreas de Comunicação, Formação, Saúde e Assuntos Jurídicos, composta por quatro membros. Cada diretoria tem um coordenador, escolhido pelo Colegiado Executivo, Conselho Fiscal e seus suplentes.

O Sindicato é filiado à Central Única dos Trabalhadores (CUT). Está organizado em âmbito estadual e nacional através da filiação à Federação dos Bancários do Rio Grande do Sul (Feeb/RS) e à Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf/CUT).

A pauta de reivindicações das campanhas salariais e outros temas que direcionam a ação dos sindicatos são definidos em reuniões, assembléias e conferências que são realizadas pelo Sindicato e pelas federações e confederações. O objetivo é reunir e defender os anseios de toda a categoria que soma mais 400 mil bancários no País.

Defesa dos bancos públicos e o respeito aos seus funcionários, exigir o cumprimento do papel social dos bancos públicos e melhores salários são prioridades do movimento sindical bancário. Também estão em pauta assuntos relacionados à saúde, segurança e condições de trabalho; e o fim do assédio moral e igualdade de oportunidade.

No Sindicato, os bancários são orientados sobre saúde e recebem atendimento jurídico em processos administrativos e na área trabalhista. Também encontram informações sobre temas como gênero, direitos dos trabalhadores, comunicação, formação e geração de trabalho e renda. O debate sobre este último tema é aprofundado com a participação do Sindicato na Comissão Municipal de Emprego de Santa Cruz do Sul.

No que diz respeito à saúde, várias pesquisas têm apontado que os bancários são os que mais sofrem com as doenças relacionadas ao trabalho, como as LER/DORT e de ordem psicológica. O Sindicato presta atendimento tanto de orientação quanto jurídica para bancários afastados do trabalho.

Também está envolvido na promoção de atividades que abordam saúde e violência contra a mulher. Faz parte do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Santa Cruz do Sul e participou na mobilização que levou à criação do centro e da unidade de referência em saúde do trabalhador em Santa Cruz do Sul. Tem participado de manifestações cobrando que os trabalhadores afastados por motivo de saúde recebam um atendimento melhor do INSS. Vários bancários já receberam alta sem ter condições para retornar ao trabalho.

A comunicação é outra área que recebe atenção por parte da direção do Sindicato. A busca para melhorar cada vez mais a comunicação entre os bancários tem sido contínua. O Sindicato sempre valorizou e apoiou a publicação de jornais e revistas que abordassem assuntos que interessam à categoria e à sociedade e que não encontram o devido espaço nos meios de comunicação de massa. Como exemplo, o jornal intersindical Peleia e a Revista Prosa & Verbo, editada entre 1997 e 2000, ambos extintos.

Hoje, são elaborados o jornal e o informativo Desperta Bancário. O jornal é editado desde 2000 e é entregue aos bancários, em média três edições são publicadas por ano. O informativo é enviado para os bancários que tem e-mail cadastrado e por fax às agências. Além disso, mantém o site www.sindibancarios.org.br com informações atualizadas e apresenta o programa Bom Dia Bancário todas as sextas-feiras, das 8h30 às 9h30, na Rádio Comunitária de Santa Cruz do Sul, 105,9 FM. Os bancários também recebem as edições mensais da Revista Forum, publicação inspirada no Fórum Social Mundial. Além disso, tem assinatura da Revista Caros Amigos e do Jornal Brasil de Fato.

O Sindicato também está na luta pela democratização da comunicação conforme descreve o Item IX do Art. 5º da Constituição Brasileira: “É Livre a expressão da Atividade Intelectual, Artística, Científica e de Comunicação, Independente de Censura ou Licença”. Com participação ativa na criação e manutenção da Rádio Comunitária de Santa Cruz do Sul, desde 1998, quando foi fundada a Associação Cultural de Integração Comunitária de Santa Cruz do Sul (Acicom), que é a mantenedora da RC. Em abrangência estadual, tem atuação na Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária (Abraço/RS).

Para contribuir na formação de bancários e de integrantes de movimentos sindicais e sociais dispõe de biblioteca com uma grande quantidade de livros, vídeos e DVDs. As obras abordam sobre política, sociologia, filosofia, história, direito, saúde, educação, gênero, entre outros. Os bancários sindicalizados podem solicitar o empréstimo. Também são realizadas palestras que debatem sobre temas atuais como conjuntura nacional e sistema financeiro. Outra atividade que busca envolver a categoria é o Cine Bancários, que regularmente exibe filmes seguidos de debates na sede.

Para integrar os bancários, todos os anos, são realizados os torneios de futebol, vôlei, bocha e de boliche. O Dia do Bancário, em 28 de agosto, é marcado com o tradicional jantar-baile. O Sindicato também incentiva promoções culturais. Em várias ocasiões apoiou iniciativas de teatro e cinema. Em 2006, foi um dos patrocinadores do projeto 50 Anos Sem Bertolt que promoveu apresentações em escolas, festival de esquetes e premiação. Também apoiou a 2ª Manoca do Canto Gaúcho de Santa Cruz do Sul, festival nativista, em 2007.
A Associação dos Amigos do Cinema de Santa Cruz do Sul também contou com o apoio do Sindicato na realização de várias atividades. Em 2001, trouxe em parceria com o Sindicato o filme O Sonho de Rose e organizou sessões especiais com os filmes Tayná e Bicho de Sete Cabeças que foram bem aceitas pelas escolas da região.  

Enfim, o Sindicato é o espaço onde, historicamente, a categoria se organiza para manter e conquistar direitos. Por isso, não carregue o fardo sozinho. Sindicalize-se!!!

Fontes:

A História dos Bancários – Lutas e Conquistas 1923 – 1993
Autor: Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região

Dez anos de lutas, conquistas e sonhos
Autor: Confederação Nacional dos Bancários da CUT

 

 

 

 

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