Casos de Covid-19 e agências fechadas crescem em percentual maior do que os casos do Rio Grande do Sul desde a flexibilização do atendimento. No teletrabalho, houve avanços na compra de cadeiras e rejeição de dirigentes a proposta de valor para ajudar em despesa com home office

A tese de equívoco é muito simples e fácil de ser provada. Desde que o Banrisul tomou a decisão de flexibilizar o atendimento nas agências bancárias, em 3 de novembro, o volume de colegas Banrisulenses infectados e afastados por Covid-19 cresceu exponencialmente. E, se há algo ruim que possa piorar neste caso, é aquela velha história de os gestores interpretarem Instruções Normativas e Administrativas como querem.

O resultado é deixar em risco as vidas de colegas que trabalham presencialmente, de seus familiares e de clientes. Integrantes do Comando Nacional dos Bancários volt\aram a ser assertivos com o banco e duros nas cobranças para o imediato retorno da aplicação prática dos protocolos sanitários e de saúde na reunião da terça-feira, 1º/12. Uma nova reunião exclusiva sobre Covid-19 ficou marcada para as 11h da quarta-feira, 9/12.

Basta perceber os números de crescimento de casos no Banrisul. Há mais de 100% de colegas infectados do que há um mês. E o tão perigoso quanto: o Banrisul tem um crescimento percentual de número de casos, no período, maior do que o crescimento em todo o Rio Grande do Sul. A reunião que deveria ser praticamente sobre teletrabalho na terça-feira, 1º/12, teve que tratar em sua maior parte da explosão da pandemia dentro das lotadas agências do Banrisul.

A segunda questão, aquela que refere a atuação prática para aplicar protocolos sanitários, expõe pequenos desastres na rotina de atuação de gestores. O banco continua cobrando metas, aliás, flexibilizou o atendimento, aumentou as filas nas agências e, claro, a aglomeração, para pressionar por negócios no início de novembro.

Temos o clássico efeito dominó: os superintendentes pressionam os gerentes que, por sua vez, são obrigados a manter as portas abertas para realizar negócios.

Uma ilustração precisa de como é este modus operandi do cada um faz o que bem entende para ampliar a possibilidade de vender produtos, depois da ordem geral do banco de atender mais clientes, foi trazia pela diretora do Sindicato de Santa Cruz do Sul, Mariluz Carvalho.

Ela contou na reunião que conversou com um gestor do Interior do Estado e ouviu do colega que, para os bancos, a bandeira vermelha significava, na verdade, bandeira laranja. É o que os dirigentes têm repetido sobre a interpretação livre dos gestores a respeito normas, acordos coletivos e até mesmo a respeito do distanciamento controlado do Governo do Estado.

A coordenadora do Sindibancários Mariluz Carvalho que participou da reunião, continua atenta e vigilante aos protocolos  exercidos dentro das agências.

“Conversei com um colega gestor e ele me disse que recebeu a orientação de ser mantido o protocolo de bandeira laranja. Só que, para os bancos devido ao fim temporário do modelo de coogestão, nos próximos 14 dias deverá ser utilizado efetivamente os protocolos da bandeira vermelha. O pessoal fica tão focado nas metas que não se dá conta de que não está seguindo orientações para salvar vidas”, salientou Mariluz Carvalho.

Um pouco antes dessa história ser contada pela dirigente, o presidente do SindBancários, Luciano Fetzner, criticou os procedimentos de entrega de cartão aos clientes, que têm causado muita procura por agência devido à demora. O dirigente também expôs que estamos vendo agora as consequências das atitudes não adotadas pelo banco no combate à pandemia.

“O Banrisul precisa urgentemente voltar a combater a contaminação pelo novo coronavírus de forma drástica, começando pela obrigatoriedade de agendamentos e suspensão das metas. Não adianta vocês pedirem para nós denunciarmos os gerentes das agências mais problemáticas. Eles são orientados pela área comercial a continuarem fazendo de tudo para bater metas. O que tem de ser feito é ampliar o revezamento, suspender as metas e acabar com as filas, o que passa por resolverem o problema da entrega de cartões e pela obrigatoriedade do agendamento. Do jeito que as coisas estão, o único resultado que o banco está alcançando é nas estatísticas de Covid. O cliente não vai ao banco comprar produto na pandemia. Ele quer resolver problema de receber do INSS, cartão, auxílio.”, acrescentou Luciano.

Imagens para provar que as aglomerações não são inventadas por dirigentes

O diretor da Fetrafi-RS, Sergio Hoff, deu provas de que as aglomerações e as filas passaram a ser rotina no Banrisul. Por certo, elas não estão apenas relacionadas à flexibilização do atendimento pelo Banrisul no início deste mês, mas a outra questão sobre a qual os dirigentes chamam a atenção há alguns meses: o crescimento dos atendimentos presenciais em dezembro.

Sergio Hoff mostrou fotografias de uma agência lotada. As imagens foram colhidas na manhã da terça-feira, algumas horas antes da reunião começar. Há filas dentro da agência, que preservamos nome e localização, clientes sentados um ao lado do outro sem observar o distanciamento mínimo de dois metros.

E são filas não para o autoatendimento, mas para os caixas. O dirigente mostrou também que as filas se formavam fora da agência foi adiante. Mostrou quais são os protocolos para agências bancárias em situação de bandeira vermelha como é o caso da Região Metropolitana de Porto Alegre, que são obrigatórios em situação de bandeira vermelha, segundo o distanciamento controlado do Governo do Estado.

“É importante o empenho e as palavras, mas o que está acontecendo lá fora é muito diferente do que acontece aqui. O protocolo para bandeira vermelha é que os bancos atendam em 50% da capacidade. Quer dizer, um cliente dentro da agência para cada um funcionário. Tudo isso está sendo ignorado. Essas fotos são de uma agência com filas no caixa de hoje [terça, 1/12]”, detalhou Sergio.

Uma mudança inexplicável

É consenso entre dirigentes que o protocolo e seu cumprimento para os casos de Covid-19 e de combate ao novo coronavírus aplicados pelo Banrisul no início da pandemia tinham problemas, mas eram exemplares no setor bancário. Ademais, para o presidente do Sintrafi-SC, Sindicato de Florianópolis e Região, Cleberson Pacheco Eichholz, o Banrisul deveria voltar a fazer o que estava fazendo para não ter tantas agências fechadas, tantos colegas fora de combate e doentes.

“O que era feito pode não ter sido feito em todas as agências, mas estava sendo feito. Analisando os gráficos só do RS, percebe-se que o pico foi no final de setembro, outubro. Houve declínio e, em novembro, os casos voltaram a crescer de novo. O Banrisul destoou neste crescimento. A partir de um dado momento, o Banrisul passou a crescer em percentual bem acima do percentual de crescimento do estado do RS”, avaliou Cleberson.

A diretora da Fetrafi-RS, Ana Maria Betim Furquim, disse ter entrado em contato com agências de duas regiões do Estado e constado que há diferentes abordagens. “Tem regional fazendo diferente de um lugar para outro. Hoje, fiquei sabendo que mandaram colegas para casa em uma agência. Cinquenta por cento foram mandados ficar em casa. Mas tem regional [superintendente] que não está cumprindo o protocolo para bandeira vermelha”, afirmou Ana Betim.

Crescimento exponencial do número de agências fechadas e de colegas infectados

Os revezamentos de equipes não estão acontecendo em agências grandes. Aliás, acontecem em pouquíssimas agências. O atendimento ao público está liberado em grande parte das agências. isso tem um preço alto a pagar, segundo a diretora da Fetrafi-RS, Denise Falkenberg Corrêa: os afastamentos de colegas doentes e as agências fechadas por falta justamente dos colegas que estão doentes.

“Os números de infectados e de agências fechadas estão crescendo exponencialmente. Estávamos indo bem, mas passamos a ter bem mais problemas desde o retrocesso na questão dos agendamentos e na liberação da abertura para atendimento. Em todas as regiões, a Covid-19 está disseminada”, salientou Denise.

O diretor da Fetrafi-RS, Fábio Alves, levanta algumas questões que formulam um dilema. O banco descredenciou caixas e agora a principal exigência de atendimento é justamente para clientes que procuram os caixas. Ele contou que precisou de um novo cartão do banco que demorou 21 dias para chegar, o que leva as pessoas a procurarem agências e aumentar a chance de haver aglomerações.

“Não era o melhor momento para descredenciar caixa, dezembro agora é quando tem mais demanda por atendimento presencial. Isto estava claro que ia acontecer. Está tudo conectado, a Covid com o atendimento. Se a área comercial estivesse preocupada, esses problemas simplórios, como entregar o cartão, já estariam resolvidos”, alertou Fábio.

Palavra do banco: medidas duras e punição para gestores

O banco apresentou dados sobre cidades e números de infectados. Reconhece que houve aumento. Mas, quando os representantes do Banrisul argumentaram que o banco nem chegou a implementar a flexibilização do atendimento, foram “lembrados” das fotografias e das inúmeras provas de casos de agências fechadas por causa da infecção pelos dirigentes.

Os representantes também argumentaram que a situação será muito difícil nos primeiros 20 dias de dezembro, em razão do atendimento de um número elevado de clientes que procuram agências para resolver problemas como receber o INSS e fazer prova de vida.

Objetivamente, disseram que entraram em contato com os Correios para resolver problemas de entrega de cartões e foram aconselhados a concentrar a entrega em uma só agência, o que é inviável.

Internamente, informaram também que estão emitindo Instruções Normativas (INs) e Instruções Administrativas (IAs), reiterando a obrigação de seguir normas e colocar a vida em primeiro lugar e os negócios mais adiante, seguindo orientação da diretoria. Orientações para uso de máscaras e álcool em gel também são feitas periodicamente.

O Banco também está adotando “medidas duras”. Uma delas é proibir qualquer tipo de confraternização de fim de ano ou de despedida de colega dentro das agências, com recomendações para que essas confraternizações não sejam feitas nem nas residências dos funcionários.

Os gestores que não cumprirem orientações como compra de EPIs, não afastar colegas infectados, não aplicar testes, nem seguir protocolos das bandeiras, serão punidos. Os casos serão encaminhados para o Comitê de Gestão de Pessoas, com recomendações de punição àqueles gestores que não cumprirem as orientações.

A certa altura da reunião, os representantes pediram para os dirigentes denunciarem em quais agências há problemas. Os dirigentes retrucaram que o banco sabia.

Os representantes do banco reiteraram que sabem do problema das aglomerações nas agências, mas que precisam também resolver problemas dos clientes que precisam, por sua vez, de um serviço como receber o dinheiro para poder comprar alimentos e viver.

Banco garante compra de cadeiras no teletrabalho

Depois de quase duas horas de debates sobre Covid-19, os integrantes do Comando Nacional dos Banrisulenses ouviram uma boa notícia. O banco garantiu que vai comprar cadeiras e disponibilizar para os colegas que estiverem em home office nos moldes sugeridos pelos dirigentes: compra e manda entregar, levando em consideração questões ergonômicas e a saúde dos colegas em teletrabalho.

Por outro lado, o banco também trouxe uma proposta prontamente recusada pelos dirigentes na mesa. O banco aceita pagar R$ 60 por mês de auxílio para que os bancários cubram suas despesas pessoais como teletrabalho em casa. O pagamento seria mensal ou numa parcela de R$ 360 para seis meses. Os diretores avisaram que não podem levar este valor à apreciação dos Banrisulenses em assembleia, recusando-o totalmente.

Também participaram da reunião pelo Comando Nacional dos Banrisulenses, Ana Maria Silva (SEEB Lajeado) e o assessor jurídico da Fetrafi-RS, o advogado Milton Fagundes

Representaram o Banrisul na reunião da terça-feira sobre teletrabalho: o negociador Fernando Perez, superintendente de RH, Gaspar Saikoski, e os assessores jurídicos Douglas Bernhard e Raí Mello.

Agenda de reuniões

Terça-feira, 8/12, 13h30 | Teletrabalho

Quarta-feira, 9/12, 11h | Covid-19

Fonte: Imprensa SindBancários com edição do Sindibancários

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